Quem sofre de solidão não procura um médico, mesmo se procurasse não teria tratamento, a medicina não considera que solidão seja uma doença. A solidão, mesmo não sendo doença, causa dor às pessoas. No artigo abaixo Jose J. Camargo fala desse importante assunto, o texto foi publicado no Caderno Vida do jornal Zero Hora.

Numa clínica de dor em Madri, na entrevista de cinco pacientes novos, o coordenador explicou que precisava avaliar o nível de sofrimento do grupo, e pediu que cada um classificasse sua dor, de 1 a 10, sendo 10 a maior dor imaginável. O primeiro não deixou por menos: cravou um 10 com convicção. O segundo assumiu o mesmo escore, talvez temendo merecer menos atenção. O terceiro paciente, com a imagem da dor estampada, afirmou que na sua escala de sofrimento, 17 ficaria bem. O quarto, impressionado com o martírio dos seus pares, admitiu que 9 seria provavelmente mais justo.


O último paciente, um pouco envergonhado, referiu que sua graduação era 1. Quando o médico questionou sua presença nesta clínica – já que ele não deveria sentir dor –, ele afirmou: “eu tenho câncer como todos aqui, e como todos aqui, também vou morrer. Acontece que não tenho ninguém para cuidar de mim. Eu sei que isso não tem escore, mas podem acreditar que esta solidão é a pior dor”.

O Código Internacional de Doenças (CID), por pura distração, ainda não catalogou a solidão como doença, mas ela é, sem dúvida, a grande enfermidade da sociedade contemporânea. A promiscuidade afetiva da vida moderna e a fantástica capacidade de interação instantânea contribuem para a falsa sensação de que não estamos sozinhos. Porém, quando uma circunstância especial como a doença restringe a nossa capacidade de comunicação, percebemos que a ilha de fraternidade que construímos com milhões de mensagens e torpedos afetuosos é pura fantasia.

O paciente, fragilizado pela ameaça da morte, sempre buscou na palavra do médico mais do que a promessa de ajuda. Ele quer um compromisso da parceria, admitindo que não ter com quem dividir sofrimento, só faz multiplicá-lo.

Quem trabalha com transplante, por exemplo, descobre no convívio com o desespero levado ao limite, que a disposição para lutar pela vida depende de uma equação simples: amor pra dar/amor para receber.

Os ricos de afeto ultrapassam todas as estimativas de sobrevida porque lhes encanta viver. Por outro lado, é triste flagrar o desinteresse com que os mal amados encaram a perspectiva de batalhar por uma vida que lhes negou a generosa cumplicidade do amor compartilhado.

Certo estava quem escreveu que a maior tragédia do homem é o que morre dentro dele, enquanto ele ainda está vivo.
fonte: Viver com Saúde


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